Sonhos enquanto durmo

Tive dois sonhos bem malucos hoje. No primeiro, eu trabalhava como caixa em um mercadinho no Paraguai. Em certo momento fui até o fundo da loja e percebi que a infraestrutura era simples, até um pouco precária. Ainda assim, o ambiente tinha algo de acolhedor. Os colegas de trabalho e os clientes pareciam gentis e atenciosos. O mais curioso é que eles estavam me ensinando os nomes dos produtos em espanhol. Isso deixava o sonho ainda mais estranho, mas também interessante. Parecia haver ali um senso de comunidade e paciência. Como se o tempo passasse mais devagar e existisse espaço para ensinar e aprender. Algo raro atualmente, na correria do dia a dia.

No segundo sonho, eu estava sentado em um banco da praça em Dourados quando um cara se aproximou e me cumprimentou. Logo percebi que ele tinha me confundido com outra pessoa, que estava sentada num banco próximo. Essa pequena confusão foi simbólica. A sensação de sermos confundidos, mal interpretados ou de ocuparmos lugares que talvez nem sejam nossos.

A cena mudou para a rua da minha casa, onde dois caminhões estavam estacionados na esquina. Sem motivo claro, subi em um deles, que seguiu pela Avenida José Roberto Teixeira, sentido oeste. Acompanhei o trajeto no tablet, observando o pontinho do mapa se mover, como um espectador da minha própria vida. Ao nos aproximarmos do Parque Antenor Martins, notei pessoas sentadas no caminhão e pedi que avisassem o motorista que eu queria descer. Ao descer, ele me deu um par de algemas com chave. Um presente estranho, que sugeria tanto prisão quanto a possibilidade de liberdade. Atravessei a rua e vi o parque cheio, mesmo à noite, cheio de vida e movimento. Acordei sem entender as algemas, com a sensação de que sonhos não precisam fazer sentido, mas sim provocar perguntas que ainda não sabemos formular.